Sojicultores podem ter rentabilidade de 70% na safra 2017/2018 no Paraná

Os produtores brasileiros estão na reta final do plantio da soja. O plantio atingiu 96% da área estimada para a safra 2017/2018, acima dos 95% no ano passado e 93% na média de cinco anos, de acordo com levantamento da consultoria AgRural. As perspectivas para a safra são otimistas na região Sul do Brasil.

No Paraná, o segundo maior estado produtor de soja, o plantio já foi finalizado. De acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral), 88% das lavouras foram consideradas em boas condições para o desenvolvimento da cultura e somente 12% apresentaram condições medianas. Até o momento, 54% da soja cultivada está em desenvolvimento vegetativo, 37% em floração e 9% em frutificação.

Embora as lavouras estejam se desenvolvendo bem, os resultados não devem superar os da safra passada. “Se compararmos as lavouras deste ano com as do ano passado, em termos de desenvolvimento da cultura no campo, temos um cenário 5% inferior. A produtividade não terá a mesma performance do ano passado”, diz Dilvo Grolli, diretor-presidente da Coopavel, uma grande cooperativa do Paraná que representa mais de 5 mil produtores de grãos, aves e suínos. “No ano passado, o clima foi perfeito [no Paraná]. A safra passada foi excepcional, acima da média e o produtor sabe que dificilmente terá o mesmo resultado agora”.

 La Niña

Segundo Grolli, a única preocupação do produtor do Paraná é com o clima, que está irregular na região. Houve falta de chuvas no início do plantio em setembro e depois excesso de chuvas.

“Chegou a chover 700 milímetros em novembro em algumas regiões do Paraná. A média era entre 300 e 400 milímetros para o mês de novembro”, afirma Grolli. “Está começando a formação do La Niña, mas de baixa intensidade. O La Niña pode deixar o clima levemente mais seco ou com chuvas abaixo do normal no Paraná, o que pode gerar queda de produtividade da soja”.

Rentabilidade da soja

Segundo Grolli, o produtor da região Sul está numa situação financeira mais confortável que o do Centro-Oeste. “Teremos um custo de produção da soja em torno de R$ 2.200 mil por hectare. Se você tiver uma produtividade em torno de 60 sacas por hectare, terá um custo de R$ 36 a R$ 38 e o preço da saca de soja está acima de R$ 60 reais”, diz Grolli. “O produtor tem uma lembrança de um passado próximo que se vendia a saca a R$ 80 e então o preço de R$ 65 parece baixo. Mas a previsão de rentabilidade é boa, de 70%. Quando a gente tinha soja a R$ 80, a taxa selic era de 14,5% e inflação de 10 a 12% ao ano. Hoje temos uma taxa selic de 7% e uma inflação de 3% ao ano”.

Venda da soja

 

Ainda assim, os produtores paranaenses também acompanham o mercado com cautela. Até agora, os associados da cooperativa venderam 65% da safra 2017/2018. O ritmo está mais lento se comparado com o ano passado, com 75% da safra vendida até novembro. “O produtor [do Paraná] está bem capitalizado e de olho no clima, esperando a oportunidade de ter preços melhores”, afirma o diretor-presidente da Coopavel.

Logística

A vantagem dessa região é que o estado do Paraná não enfrenta problemas de logística. Para atravessar o estado inteiro até chegar ao Porto de Paranaguá, a maior distância é de 750 quilômetros e as estradas asfaltadas são consideradas boas. “Temos facilidade de escoamento da safra para o Porto”, diz Grolli. Além disso, há muitos frigoríficos de aves e suínos na região e a demanda por soja e milho para ração animal é constante. No entanto, Grolli concorda que para o produtor da região Centro-Oeste a situação atual é complicada.

“O problema do Centro-Oeste é a distância dos portos. O aumento do preço do óleo diesel aumentou o custo de transporte e esse aumento de custo sai do bolso do produtor”, diz. Para a segunda safra, no Paraná a estimativa também é de queda na produção. “Há uma perspectiva de redução de 30% da área plantada com milho segunda safra”, afirma Grolli. De acordo com o diretor-presidente da Coopavel, o produtor que colher a soja mais tarde e perder a janela de cultivo ideal do milho vai acabar migrando para o plantio de trigo.

Fonte Foco Rural

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